Ficar sem energia? Cada vez menos: baterias ganham espaço em casas e empresas
Empresas buscam baterias para evitar prejuízos com quedas de luz, enquanto consumidores valorizam a autonomia energética. Com o marco legal de 2025, o armazenamento de energia cresce no Brasil
As quedas de energia ainda fazem parte da rotina de brasileiros e impactam tanto casas quanto empresas. Neste contexto, as baterias de armazenamento demonstram ser uma solução viável.
Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, o Brasil registrou, em 2025 (até julho), cerca de 2,68 interrupções por unidade consumidora. A projeção indica que o número de paradas pode se manter próximo de cinco ocorrências anuais por consumidor.
Mesmo nas regiões com melhor desempenho, como Sudeste e Sul, o fornecimento ainda registra descontinuações frequentes ao longo de todos os meses. Levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostra que os consumidores ficaram, em média, mais de 10 horas sem fornecimento ao longo de um ano.
Isso evidencia que, apesar de avanços, a instabilidade no sistema elétrico ainda é uma realidade. Em cenários mais críticos, como eventos climáticos extremos, o problema se intensifica, exigindo inclusive novas regras para maior resiliência das redes.
Quedas de energia trazem prejuízo às empresas
Para as empresas, o impacto vai além do desconforto: significa prejuízo direto e risco operacional. Uma hora sem energia em horário de pico pode ser crítica, principalmente se não há sistemas de baterias de energia.
Setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, indústria e serviços, podem sofrer perdas financeiras, danos a equipamentos e atrasos no atendimento ao cliente.
Em muitos casos, mesmo quedas rápidas de 10 minutos já são suficientes para comprometer sistemas, causar perda de dados e afetar a produtividade, o que reforça a necessidade de soluções que garantam continuidade energética.
Além disso, o custo da energia elétrica no Brasil segue como um fator de pressão no orçamento de empresas e famílias. Tal cenário tem levado consumidores a buscar alternativas que ofereçam mais controle e segurança, como a geração própria e o armazenamento de energia.
Este movimento já começa a ganhar força em cidades como Chapecó, impulsionado por empresas especializadas no setor e pela demanda crescente por autonomia energética.
“Um dos grandes benefícios das baterias é manter tudo funcionando quando falta energia. Mas hoje ela vai muito além disso. Essa tecnologia também ajuda empresas a reduzir picos de consumo, evitar custos com demanda de energia e usar a eletricidade de forma mais inteligente ao longo do dia”, afirma o especialista da Bold Energy Marcelo Baseggio, Sócio e Diretor Comercial.Ele também destaca que outro ponto importante é a economia. Em muitos negócios, especialmente os atendidos em média tensão, a energia é muito mais cara em determinados horários.
Com a bateria, o consumidor pode armazenar energia no período mais barato e utilizá-la quando a tarifa está mais alta. Na prática, isso pode reduzir e muito a conta de luz e melhorar a gestão da energia.
Energia solar evolui e ganha reforço com sistemas de armazenamento
Com a propagação dos sistemas fotovoltaicos, cada vez mais consumidores passaram a gerar a própria energia, de modo a reduzir custos e ganhar previsibilidade no orçamento.
Na prática, os sistemas de armazenamento (conhecidos como BESS) permitem guardar o excedente de energia produzido durante o dia para uso posterior, especialmente à noite ou em momentos de maior demanda.
Isso aumenta a eficiência do sistema e reduz a dependência da rede elétrica, além de funcionar como uma solução de backup em caso de falhas no fornecimento. Ou seja, não se trata apenas de gerar energia, mas de decidir quando e como utilizá-la.
De acordo com a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia, sistemas de armazenamento podem gerar economia superior a R$ 3 bilhões por ano no sistema elétrico.
Em vez de depender exclusivamente da rede elétrica, é possível armazenar eletricidade e utilizá-la exatamente quando necessário.
Os sistemas de armazenamento em casas e empresas funcionam como uma espécie de “reserva imediata” de energia. Em caso de queda no fornecimento, a transição é praticamente instantânea, garantindo que os equipamentos continuem operando sem interrupções.
Casos reais mostram economia e segurança com uso de baterias em Chapecó

Hotel Kindermann em Chapecó (SC) adota sistema da Bold Energy para garantir autonomia e economia energética. - Divulgação/Bold Energy/ND
Cada vez mais moradores de Chapecó estão buscando alternativas para reduzir a dependência da rede elétrica e garantir mais tranquilidade no dia a dia. É o caso de Alcione Belache, que decidiu investir em um sistema de energia solar com baterias pensando na economia e também na segurança e continuidade do funcionamento da casa.
“O principal motivo para usar esse sistema foi a comodidade de ter uma certa independência energética quando há falta de energia da rede elétrica. Desta forma, os principais pontos da minha casa, como iluminação, geladeira, internet, TV e aquecedor permanecem funcionando mesmo quando há falhas na rede”, afirma.
Ela também explica como o sistema impacta sua rotina. “Muitas vezes fico sem energia e nem percebo. O segundo fator foi a economia, pois no meu caso a bateria é carregada ao longo do dia pelos painéis solares e durante a noite a bateria alimenta minha casa”, destaca.
Segundo o proprietário do Hotel Kindermann, Daniel Sabadin, quando ele conheceu a solução de armazenamento de energia com baterias, já sabia que precisaria agir.
“Nosso consumo estava no limite da subestação de 112 kVA e ampliar a estrutura tradicional seria caro, burocrático e exigiria parar o hotel. O maior risco era ter quedas de energia em eventos, o que impactaria diretamente a experiência dos clientes e a reputação do hotel”, destaca.
Com a solução, o hotel conta com maior capacidade sem precisar mexer na subestação e sem interromper a operação. O sistema atua principalmente nos horários de pico, garantindo estabilidade, evitando sobrecargas e mantendo tudo funcionando perfeitamente.
“Além da segurança energética, tivemos economia ao evitar a ampliação da subestação e ainda melhoramos a qualidade da energia. Hoje temos mais tranquilidade para operar e crescer. Foi uma solução inteligente, eficiente e que acompanhou o ritmo do nosso negócio”, explica.
É interessante também o caso do Supermercado Alberti. O sistema com baterias trouxe uma economia anual estimada em cerca de R$ 73 mil para o estabelecimento.
Além do ganho financeiro, essa solução impactou a continuidade da operação da empresa, especialmente nas áreas prioritárias como iluminação, balanças, frente de caixa e elevador durante quedas de energia.
“A instalação do sistema assegurou uma operação contínua e estável. Em momentos de queda de energia, áreas vitais mantêm-se operacionais, garantindo atendimento ininterrupto, segurança e continuidade nos processos”,relata João Vitor Alberti, Proprietário
Ele aponta que, na prática, o uso de armazenamento de energia preserva o fluxo de vendas e evita filas, retrabalho ou interrupções em processos internos da empresa.
“Essa solução contribui para a organização da loja e a confiança da equipe, que consegue seguir com suas rotinas mesmo em cenários adversos. Com isso, a solução deixa de ser apenas uma economia financeira e passa a atuar como um pilar estratégico”, acrescenta.
Armazenamento de energia se consolida como tendência
O Brasil criou seu primeiro marco legal para armazenamento em 2025, com a Lei nº 15.269, reconhecendo oficialmente baterias e sistemas de armazenamento como parte do setor elétrico nacional.
Esse avanço acompanha uma tendência global ainda mais intensa. Os sistemas de armazenamento estão entre as tecnologias que mais crescem no mundo, com expansão acelerada e papel central na transição energética, especialmente por permitir o uso mais eficiente de fontes renováveis.
Segundo a International Energy Agency, o mercado global de baterias ultrapassou US$ 150 bilhões em 2025, com crescimento superior a 20% em relação a 2024.
No Brasil, a combinação entre queda de custos, avanço tecnológico e maior demanda por segurança energética em casas e empresas aponta para um cenário em que o armazenamento se consolida como parte essencial na forma de produzir e consumir energia.
Comentários (0)