cover
Tocando Agora:

STF forma maioria para derrubar lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades

Lei catarinense contestada veda a adoção de cotas e ações afirmativas com recortes étnico-raciais no ensino superior vinculado ao financiamento estadual.

STF forma maioria para derrubar lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades
STF forma maioria para derrubar lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades (Foto: Reprodução)

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para derrubar a lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais e outras ações afirmativas em universidades e instituições de ensino superior que recebem verbas do Estado. O julgamento ocorre no plenário virtual, onde os ministros registram os votos eletronicamente dentro de um prazo definido.

Até esta quinta-feira, dia 16, seis ministros já haviam votado pela inconstitucionalidade da norma: o relator Gilmar Mendes, seguido por Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Edson Fachin. Com isso, o STF alcançou o número necessário de votos para formar maioria, ainda que os demais ministros possam se manifestar até o encerramento da sessão virtual.

O que está em debate

A lei catarinense contestada veda a adoção de cotas e ações afirmativas com recortes étnico-raciais no ensino superior vinculado ao financiamento estadual.

O texto sancionado em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL) estabelecia a proibição da política de reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos através de cotas de gênero ou outras ações afirmativas, como indígenas, pessoas trans, entre outras. As exceções eram para pessoas com deficiência (PCDs), oriundas de escolas públicas e ingresso por critérios de renda.

No voto do relator, Gilmar Mendes afirmou que cotas raciais não violam o princípio da isonomia. Segundo a fundamentação, a premissa usada para justificar a lei — de que ações afirmativas feririam a igualdade — contraria o entendimento já consolidado no Supremo de que essas políticas podem ser instrumentos legítimos de correção de desigualdades e enfrentamento do racismo estrutural.

O relator também criticou a tramitação da proposta na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), dizendo que a aprovação ocorreu no fim de 2025 sem análise suficiente sobre a efetividade da política pública interrompida e sem avaliação das consequências da mudança.

Entenda o caso

A lei foi aprovada em dezembro pela Alesc e sancionada em janeiro pelo governador Jorginho Mello (PL). Na fase inicial do embate, o STF cobrou esclarecimentos do governo estadual e, dias após a sanção, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) chegou a suspender a norma.

Ao defender a medida, o governador argumentou que Santa Catarina teria maior proporção de população branca e que, nessa leitura, a adoção de cotas raciais poderia aumentar desigualdades — argumento que vem sendo rebatido no julgamento com a tese de que ações afirmativas são compatíveis com a Constituição e com a busca por igualdade material.

O que acontece agora

Com a maioria formada, o STF deve confirmar a derrubada da lei ao final do prazo do plenário virtual, que termina até o final da noite desta quinta-feira, quando o resultado será formalizado com a conclusão do julgamento e a publicação da decisão.

Por Redação Oeste Mais

Comentários (0)